Jornalismo
Tarifaço dos EUA entra em vigor nesta terça (22). Nordeste já exporta menos
Oito estados da região tiveram queda nas vendas antes do tarifaço; Pernambuco registrou retração de 33,4%
Por Redação21 JUL. - 14H15
Jornalismo - Tarifaço dos EUA entra em vigor nesta terça (22). Nordeste já exporta menos (Foto: Reprodução Portal da Industria)A tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos entra em vigor nesta quarta-feira (22), mas o Nordeste já sentia os efeitos da desaceleração das exportações antes mesmo da nova medida. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que oito dos nove estados nordestinos registraram queda nas vendas para o mercado norte-americano no primeiro semestre de 2026.
No período, as exportações brasileiras para os EUA recuaram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões. Juntos, os estados do Nordeste exportaram US$ 1,25 bilhão para o mercado americano. A Paraíba foi a única exceção, com crescimento de 5,9%. Nos demais, as retrações variaram de 0,6% (Maranhão) a expressivos 72% (Rio Grande do Norte), o pior desempenho entre todas as unidades da Federação.
Queda em Pernambuco - Pernambuco vendeu US$ 35,9 milhões aos Estados Unidos, uma redução de 33,4% em relação ao mesmo período de 2025. Embora a manga tenha ficado fora da lista de produtos tributados, o estado também exporta açúcar de cana e uvas, sendo o açúcar um dos itens alcançados pela nova medida.
Na Bahia, as exportações somaram US$ 373,2 milhões, com retração de 14%. Celulose e frutas permaneceram isentas, mas isso não foi suficiente para impedir a redução dos embarques. Em Sergipe, mesmo com o suco de laranja congelado entre os produtos excluídos da tarifa, as exportações caíram 35,9%.
Impacto antes da tarifa - Segundo Luciano Bushatsky Andrade de Alencar, advogado especialista em Comércio Internacional, os números demonstram que o impacto começou antes da entrada em vigor da sobretaxa. "Quando um importador percebe um ambiente de insegurança, ele tende a adiar negociações, reduzir pedidos ou buscar fornecedores em outros países para evitar riscos. Isso explica por que até produtos que ficaram fora da lista de tributação já apresentam retração nas vendas", afirma.
A CNI alerta que uma segunda investigação comercial nos EUA poderá resultar em nova sobretaxa de 12,5%, elevando a tributação total para até 37,5% sobre parte das exportações brasileiras.
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