Jornalismo
Pesquisa aponta cenário preocupante para a saúde mental de jornalistas
Estudo revela índices elevados de insônia, ansiedade, depressão e exposição a assédio moral e violência digital entre profissionais de imprensa
Por Redação14 SET. - 16H20
Jornalismo - Pesquisa aponta cenário preocupante para a saúde mental de jornalistas (Foto: © Lula Marques/ Agência Brasil)Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (14) aponta um cenário preocupante para a saúde mental dos jornalistas brasileiros. O estudo Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil, produzido pela Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro), com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), mostra que as condições de trabalho e a exposição frequente a situações de assédio podem aumentar os riscos psicossociais na profissão.
Entre os 257 jornalistas que responderam ao questionário online, 48% relataram sintomas de insônia. O índice supera a média nacional registrada pelo Ministério da Saúde, que varia entre 28,7% e 38%, dependendo da capital analisada. Além disso, 36% dos participantes apresentaram episódios característicos de ansiedade, enquanto metade relatou enfrentar sintomas de depressão. Entre esses, 9% indicaram sinais de depressão severa e 16% de depressão extremamente severa.
O levantamento também identificou problemas relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas. Cerca de 21,5% dos entrevistados apresentaram padrões de consumo considerados de risco ou nocivos, enquanto 1,2% das respostas indicaram uma provável dependência. As pesquisadoras Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze apontam que o dinamismo e a pressão característicos do jornalismo contribuem para a exposição dos profissionais a situações de estresse e outros riscos psicossociais.
O assédio também aparece entre os principais problemas. Pelo menos 26% dos jornalistas disseram já ter sido vítimas de assédio moral no ambiente de trabalho, percentual que pode chegar a 37% dependendo dos critérios utilizados. Já a exposição ao cyberbullying foi relatada por 30% dos participantes. Outro dado chama atenção: 61% afirmaram receber baixo apoio social no ambiente profissional, considerando a relação com colegas e superiores.
Para as pesquisadoras, a combinação entre altas demandas, pressão, baixo controle sobre as atividades e pouco apoio pode provocar ou agravar problemas de saúde. A presidente da Fenaj, Samira de Castro Cunha, destacou que os impactos ultrapassam a categoria e podem atingir a qualidade da informação produzida e, consequentemente, o direito da sociedade à informação.
ÚLTIMOS VIDEOS

Mulher é atacada por cão de grande porte nas Graças

Moradores denunciam alagamentos e buracos em rua de Enseadas dos Corais

Dupla é presa após roubar cargas de cosméticos no Recife

Taxista é assassinado em tabajara. Suspeitos pulam o muro da casa dele
