Jornalismo
Melanoma pode surgir fora da pele e exige atenção ao diagnóstico
Estudo da Fundação do Câncer alerta para formas extracutâneas da doença e destaca importância da identificação precoce
Por Redação15 SET. - 14H51
Jornalismo - Melanoma pode surgir fora da pele e exige atenção ao diagnóstico (Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil)O melanoma nem sempre aparece na pele. A doença, que se origina nos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, também pode surgir em estruturas extracutâneas, como os olhos, mucosas da cavidade oral e órgãos dos sistemas genital e digestório. Apesar de menos frequente, esse tipo de câncer é considerado mais agressivo e apresenta maior possibilidade de provocar metástases.
O alerta está na 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, da Fundação do Câncer, que tem como tema “Melanoma: nem sempre na pele”. O estudo reforça que conhecer as diferentes formas da doença é fundamental para melhorar a prevenção, o diagnóstico precoce e o planejamento da assistência à saúde.
De acordo com o levantamento, que analisou 42.255 registros hospitalares de câncer no Brasil, 92,2% dos casos eram de melanoma cutâneo, enquanto 5,7% eram oculares e 2,5% de mucosa. Entre 1990 e 2021, foram registrados 1.324 novos casos de melanoma extracutâneo no país. O olho foi o principal local de origem, concentrando 75% dos casos, seguido pelos órgãos genitais, com 12,8%, e pelo sistema digestório, com 8,2%.
Um dos desafios é que o melanoma ocular pode permanecer sem sintomas nas fases iniciais. Quando aparecem, os sinais podem incluir visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda de visão. Por isso, o estudo destaca a importância do acompanhamento médico e da realização de exames de rotina para aumentar as chances de identificação precoce.
No caso do melanoma de pele, a exposição à radiação ultravioleta é apontada como o principal fator de risco. Entre 1990 e 2021, foram registrados 30.614 casos novos no Brasil. Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 9.360 novos casos de melanoma de pele no país.
O diagnóstico precoce é considerado essencial para o tratamento. Segundo Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, a identificação rápida da doença aumenta as possibilidades de tratamento e cura. No Sistema Único de Saúde (SUS), a cirurgia da lesão primária e a remoção dos linfonodos envolvidos são os principais procedimentos iniciais para o melanoma de pele.
Nos casos avançados, a imunoterapia também trouxe avanços importantes. Desde 2020, o SUS conta com nivolumabe e pembrolizumabe para o tratamento do melanoma metastático. Apesar dos resultados, o alto custo dos medicamentos ainda é apontado como uma barreira para ampliar o acesso dos pacientes à terapia.
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