Jornalismo
Lipedema: entenda a doença que afeta principalmente mulheres e ainda é confundida com obesidade
Especialista explica sintomas, fatores hormonais e a importância do diagnóstico precoce para garantir qualidade de vida aos pacientes
Por Yasmin Santos12 JUN - 11H27
Jornalismo - Lipedema: entenda a doença que afeta principalmente mulheres e ainda é confundida com obesidade (Foto: Reprodução)Apesar de ter sido descrito pela medicina ainda na década de 1940, o lipedema só ganhou maior visibilidade no Brasil nos últimos anos. A doença, que afeta principalmente mulheres, costuma ser confundida com obesidade, retenção de líquidos ou até mesmo características genéticas, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado.
Segundo a cirurgiã plástica Mayara Borges, o lipedema é uma doença crônica inflamatória caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura em regiões específicas do corpo, especialmente nas pernas e quadris. Diferentemente da obesidade, o quadro provoca uma desproporção corporal evidente, com membros inferiores mais volumosos enquanto braços, abdômen e outras partes do corpo podem permanecer mais definidos.
A médica explica que o lipedema não tem cura, mas pode ser controlado com acompanhamento adequado, permitindo que os pacientes tenham qualidade de vida. “É uma doença que tem manejo e tratamento. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores são os resultados”, destaca.
Embora seja mais comum entre mulheres, atingindo cerca de 12% da população feminina mundial, a condição também pode afetar homens, principalmente aqueles que apresentam alterações hormonais, obesidade ou doenças hepáticas.
A relação com os hormônios femininos é um dos fatores que ajudam a explicar a maior incidência entre as mulheres. De acordo com a especialista, três momentos da vida costumam funcionar como gatilhos para o surgimento ou agravamento dos sintomas: a puberdade, a gravidez e a menopausa.
Entre os principais sinais de alerta estão o acúmulo desproporcional de gordura nas pernas, quadris e panturrilhas, o surgimento frequente de hematomas sem causa aparente e a sensação de peso ou inchaço nas pernas ao final do dia.
A intensidade dos sintomas também pode variar conforme as oscilações hormonais e os hábitos de vida. Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e hidratação adequada ajudam a reduzir os processos inflamatórios associados à doença.
O tratamento do lipedema exige uma abordagem multidisciplinar, envolvendo profissionais como endocrinologistas, nutrólogos, cirurgiões vasculares, cirurgiões plásticos, nutricionistas, fisioterapeutas, enfermeiros especializados e psicólogos.
Para a especialista, ampliar a informação sobre a doença é fundamental para combater preconceitos e garantir que mais pessoas tenham acesso ao diagnóstico correto e ao acompanhamento necessário.
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