Jornalismo
Infecções e mortes por HIV atingiram menores índices globais em 2025
Unaids destaca melhora global, mas alerta para queda de financiamento para ações de prevenção e tratamento
Por Redação28 JUL. - 08H53
Jornalismo - Infecções e mortes por HIV atingiram menores índices globais em 2025 (Foto: Divulgação/Ministério da Saúde)As infecções por HIV e mortes por aids atingiram a menor taxa global em 2025, de acordo com relatórios divulgados na segunda-feira (27) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas Para HIV/Aids (Unaids). Porém, a organização alerta para falta de financiamento para ações de prevenção e tratamento.
Foram registradas 1,2 milhão de novas infecções pelo HIV no mundo todo em 2025, uma redução de quase 40% desde 2010. Já o número de mortes por aids chegou a 570 mil.
Em contrapartida, houve um aumento no número de novos casos em 21 países, inclusive no Brasil. Segundo a Unaids, o acesso a remédios de prevenção cresceu em 41% em resposta a esse aumento.
A diretora-executiva da Unaids, Winnie Byanyima, ressaltou que o fim da epidemia de aids já é um feito alcançável graças às inovações científicas, com destaque para a profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável, que pode prevenir a infecção em pessoas saudáveis por até seis meses.
Queda no financiamento
A organização estima que 20 milhões de pessoas precisam ter acesso à PrEP injetável de longa duração para que o mundo possa alcançar a nova meta de acabar com a aids como ameaça da saúde pública até 2030.
“Isso significa preços acessíveis, competição via genéricos, fabricação regional, transferência de tecnologia e rápida introdução dentro dos programas nacionais”, destacou a diretora-executiva.
O programa das Nações Unidas defende que o primeiro passo para atingir a meta é a recomposição dos investimentos globais para o tratamento e a prevenção do HIV.
Os recursos do principal programa de assistência aos países de baixa renda, o Overseas Development Assistance (ODA), tiveram redução de 23% no ano passado. A diminuição afeta fortemente os programas de HIV, alguns países africanos, por exemplo, dependem desses recursos para mais de 90% das ações relacionadas à epidemia.
O impacto, entretanto, não é somente nas tecnologias de prevenção, mas também no tratamento de pessoas já infectadas. Em 2025, uma a cada cinco pessoas vivendo com HIV no mundo não estava em tratamento, índice que sobe para quase metade entre crianças.
Estigmatização
Outro fator destacado pela Unaids é a intensificação da discriminação contra pessoas LGBTQIAPN+ e populações vulneráveis. Pela primeira vez, a criminalização de pessoas que se relacionam com o mesmo sexo aumentou, chegando a 66 países.
Além disso, 14 países criminalizam pessoas trans, outros 168 proíbem diferentes aspectos do trabalho sexual e 152 punem a posse de pequenas quantidades de drogas. “O HIV espalha-se quando direitos são negados. Os direitos humanos não estão separados da resposta ao HIV, eles são a resposta”, destaca a diretora-executiva.
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