Jornalismo
Gênero, raça e origem definem mobilidade social no Brasil, aponta estudo
Atlas mostra que educação é fator-chave para ascensão; Norte e Nordeste têm maiores taxas de reprodução da pobreza
Por Redação com informações da Agência Brasil31 JUL. - 10H42
Jornalismo - Gênero, raça e origem definem mobilidade social no Brasil, aponta estudo (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)O Atlas da Mobilidade Social, divulgado nesta sexta-feira (31), revela que gênero, raça e origem familiar são os principais condicionantes para a baixa mobilidade social no Brasil. A plataforma foi desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) em parceria com o grupo Prospera Lab.
Entre jovens brancos que nasceram em famílias entre os 25% mais pobres, 36,3% permanecem nesse mesmo grupo na vida adulta. Entre os não brancos, esse percentual sobe para 51,6%. Já o gênero também influencia: enquanto 32,9% dos homens permanecem no mesmo estrato, entre as mulheres a proporção chega a 65,1%. O recorte racial mostra que 69% das mulheres não brancas continuam entre os 25% mais pobres, ante 52,9% das brancas.
Origem familiar - Filhos de pais entre os 25% mais pobres têm 48% de chance de permanecer nesse grupo. Apenas 8,32% conseguem alcançar os 25% mais ricos, e somente 1,28% chegam ao topo (10%). Para quem nasce em famílias mais ricas, a realidade é oposta: 56,5% permanecem entre os 25% mais ricos e 30,8% chegam ao grupo dos 10%.
A hierarquia de oportunidades se mantém ao longo do tempo. Filhos de pais pobres nascidos entre 1983-1987 tinham 7,9% de chance de ascender; entre os nascidos de 1988-1990, o índice subiu para 8,8%.
Regiões - As maiores chances de mobilidade estão nas regiões Sul, Sudeste e partes do Centro-Oeste. Norte e Nordeste apresentam as menores taxas, com maior reprodução da pobreza. Em Assis Brasil (AC), 84,4% dos jovens de famílias pobres permanecem nessa condição, enquanto em Ponte Serrada (SC), o índice é de apenas 2,13%.
Educação - A educação é a dimensão mais associada à mobilidade social. Municípios com melhores indicadores educacionais, como maior Ideb, tendem a apresentar maiores chances de ascensão. O estudo utilizou dados da Receita Federal, Ministérios do Trabalho e do Desenvolvimento Social e IBGE.
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