Jornalismo
Cientistas descobrem nova pista para controlar vírus HIV, revela pesquisa
Ensaio envolveu 68 homens adultos que haviam iniciado a terapia antirretroviral durante a infecção primária ou em uma fase inicial
Por Redação18 SET. - 08H35
Jornalismo - Cientistas descobrem nova pista para controlar vírus HIV, revela pesquisa (Foto: Reprodução/Shutterstock)O HIV consegue desaparecer da corrente sanguínea sem sumir completamente do organismo. Mesmo quando a terapia antirretroviral mantém a carga viral controlada, pequenas populações de células podem carregar cópias do HIV em estado latente, sendo um dos principais obstáculos para estratégias capazes de manter o vírus sob controle sem tratamento contínuo.
Pesquisa - Uma análise do ensaio clínico RIO, publicada no dia 15 de setembro na revista científica Nature Medicine, trouxe novas pistas sobre o que acontece com esse reservatório quando pessoas vivendo com HIV recebem anticorpos amplamente neutralizantes durante uma interrupção cuidadosamente monitorada da terapia.
O estudo avaliou dois anticorpos de ação prolongada, chamados 3BNC117-LS e 10-1074-LS, moléculas pertencentes ao grupo dos anticorpos amplamente neutralizantes, capazes de reconhecer regiões do HIV compartilhadas por diferentes variantes do vírus.
O ensaio envolveu 68 homens adultos que haviam iniciado a terapia antirretroviral durante a infecção primária ou em uma fase inicial. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre dois grupos. Um deles recebeu os dois anticorpos, enquanto o outro recebeu placebo.
A interrupção da terapia ocorreu dentro de um protocolo clínico controlado, com critérios definidos para o retorno do tratamento quando necessário. Importante ressaltar que interromper a terapia antirretroviral por conta própria não é uma estratégia segura e não faz parte das conclusões práticas do estudo.
Reservatório viral - Os pesquisadores analisaram o DNA proviral do HIV presente em células CD4+, incluindo formas intactas e defeituosas do vírus. Antes da administração dos anticorpos, os dois grupos apresentavam níveis baixos de provírus intactos nas células analisadas.
Contudo, durante o acompanhamento, surgiram diferenças relevantes. Entre os participantes que receberam os anticorpos, houve uma redução dos provírus intactos entre o início da intervenção e o momento anterior ao retorno da replicação viral. Porém, essa mudança não apareceu da mesma maneira no grupo placebo.
Além disso, os vírus que voltaram a circular em participantes tratados com os anticorpos apresentaram seleção de resistência ao 10-1074-LS, enquanto esse padrão não foi observado para o 3BNC117-LS.
Resposta do organismo - Quanto maior era a sensibilidade inicial do reservatório aos anticorpos produzidos pelo próprio organismo, além da sensibilidade ao 10-1074, maior tendia a ser o intervalo até o retorno detectável do vírus. Esse fato também chamou a atenção dos pesquisadores.
Isso sugere que o resultado não depende exclusivamente dos anticorpos administrados. A imunidade humoral já existente também parece participar da dinâmica que determina quando o HIV volta a se multiplicar depois da interrupção do tratamento.
Os dados, portanto, ajudam a explicar por que alguns participantes permaneceram mais tempo sem apresentar rebote viral, enquanto outros tiveram o retorno do vírus mais rapidamente.
Cura ainda é distante - A pesquisa, contudo, não significa que os anticorpos tenham eliminado o HIV do organismo. O reservatório viral permaneceu, e houve retorno da replicação em parte dos participantes.
No acompanhamento de 96 semanas citado pelos pesquisadores, 25% dos participantes do grupo que recebeu os anticorpos permaneciam sem TARV, contra 6% no grupo controle. Esse resultado pertence ao contexto específico do ensaio e não significa que a estratégia esteja pronta para substituir a terapia antirretroviral.
As infusões foram consideradas geralmente seguras e bem toleradas, e os eventos adversos relacionados ao tratamento mais frequentemente relatados foram fadiga, letargia e sonolência. Não foram registrados eventos adversos graves relacionados ao estudo.
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