Jornalismo
Ciência fica à margem do debate eleitoral, alerta presidente da SBPC
Francilene Garcia critica foco da campanha em crises político-institucionais e defende discussões sobre clima, saúde, tecnologia e envelhecimento
Por Redação14 SET. - 15H09
Jornalismo - Ciência fica à margem do debate eleitoral, alerta presidente da SBPC (Foto: © Valter Campanato/Agência Brasil)Enquanto as denúncias envolvendo o caso Master dominam o cenário político nacional, temas considerados estratégicos para o futuro do Brasil seguem com pouco espaço no debate eleitoral. A avaliação é da presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, que aponta a falta de discussões sobre ciência, transição energética, mudanças climáticas e novas crises sanitárias.
Segundo a pesquisadora, a atual crise político-institucional criou uma falsa escolha entre discutir a integridade das instituições e pensar em um projeto de desenvolvimento para o país. Para Francilene, os dois assuntos fazem parte de uma mesma agenda. Ela também destaca que o Observatório das Eleições, criado pela SBPC, reúne mais de uma centena de propostas de políticas públicas e busca aproximar os candidatos de temas considerados essenciais.
Entre as prioridades estão os impactos das mudanças climáticas, a preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para futuras pandemias, as transformações provocadas pela inteligência artificial e a exploração de minerais críticos, como as terras raras. A presidente da SBPC também defende mais investimentos em ciência, tecnologia e educação e afirma que o Brasil precisa discutir sua soberania diante das transformações econômicas e tecnológicas que devem marcar a próxima década.
Outro ponto de preocupação é o envelhecimento da população. Francilene chama atenção para a perspectiva de o Brasil ter, em pouco mais de dez anos, uma população com mais pessoas acima dos 60 anos do que na faixa etária considerada produtiva. Para ela, é necessário discutir desde já que tipo de autonomia e soberania o país pretende construir diante dessa mudança demográfica.
A presidente da SBPC também afirmou que a entidade não pretende fazer julgamentos prévios sobre investigações em andamento e defendeu o respeito aos procedimentos previstos na Constituição e ao direito de defesa. Na avaliação dela, porém, o vazamento de informações e a disputa de versões acabam ocupando o centro do debate público e afastando questões fundamentais para o planejamento do futuro do país.
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