Jornalismo
Cantora Ariana Grande reacende alerta sobre transtornos alimentares
Saiba como identificar os sintomas e como tratar os chamados TAs; entenda como a midiatização afeta a autopercepção de imagem
Por Duda Ferreira10 AGO. - 11H35
Jornalismo - Cantora Ariana Grande reacende alerta sobre transtornos alimentares (Foto: Divulgação)Nas últimas semanas, debates sobre transtornos alimentares (TA) ganharam força, sobretudo por conta da Eternal Sunshine Tour, da cantora norte-americana Ariana Grande. A artista, que estava prestes a iniciar uma nova era, encerrou sua turnê devido aos comentários que vinha recebendo sobre sua aparência e “magreza excessiva”.
Também conhecidos como distúrbios alimentares, os TAs são doenças caracterizadas por hábitos de alimentação irregulares, além de sofrimento grave ou extrema preocupação com a forma do corpo, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes.
Primeiros sinais - Os transtornos alimentares podem incluir ingestão inadequada ou excessiva de alimentos, prejudicando o bem-estar do indivíduo em diversas instâncias da vida. A nutricionista e jornalista Ellen Cocino, especialista em distúrbios alimentares, destaca que os primeiros sinais desses transtornos começam, sobretudo, no comportamento.
“A pessoa começa a comer e ir ao banheiro logo em seguida, a evitar fazer refeições em público, a ter mudanças constantes de humor ou estar sempre obcecada pelas calorias que está consumindo”, afirma.
A nutricionista também explica como os distúrbios alimentares podem começar, até mesmo, por causa de dietas restritas. “A pessoa fica obcecada pela alimentação até chegar a algo que não é saudável”, afirma.
Como começam - Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), cerca de 70 milhões de pessoas no mundo convivem com algum tipo de distúrbio alimentar. Com as redes sociais, o compartilhamento de conteúdos que podem ser gatilhos para pessoas que sofrem com TA são compartilhados com muito mais facilidade.
As famosas rotinas fitness e dietas low carb agem, muitas vezes, como uma cortina de fumaça para mascarar os distúrbios alimentares. “Vivemos em uma sociedade em que a performance é supervalorizada. Essa obsessão pelos alimentos, pelas calorias e pela aparência é muito atrelada a esse comportamento de valorizar seu corpo, mas, na verdade, você está apenas mascarando um transtorno”, defende Cocino.
A nutricionista também informa que pessoas com histórico de diversos distúrbios na família, como transtorno de personalidade e depressão, estão mais propensas a desenvolverem TAs.
Quanto mais obcecada com as calorias, a pessoa que sofre com transtornos alimentares fica mais afetada por comentários sobre sua aparência. Cocino explica que “um comentário pode soar como uma validação dessa doença. É muito difícil para uma pessoa com distúrbios alimentares lidar com falas sobre sua aparência, porque ela já tem uma relação muito difícil com a sua autoimagem”.
Mesmo que alguns comentários possam vir de um lugar de preocupação, muitos deles propagam um ideal de culto a um “corpo saudável” tóxico e irreal. “Estamos na era do terrorismo aliementar. As pessoas criticam o corpo umas das outras ou o próprio corpo com a desculpa de estarem cuidando da saúde”, ressalta a nutricionista.
Tratamento - A recuperação de um transtorno alimentar envolve um tratamento multiprofissional, envolvendo diversas áreas da saúde como nutrição, psiquiatria e psicologia. Mas a nutricionista afirma que “a recuperação de um TA não é apenas o ganho de peso. A magreza e a relação com os alimentos são sintomas, o verdadeiro problema está na mente, na maneira como a pessoa enxerga a si mesma”.
Um nutricionista ajuda o paciente a ter uma relação melhor com a alimentação, enquanto um psicoterapeuta trabalha na melhora da autopercepção. Às vezes, um psiquiatra pode ser indicado para o tratamento de outras doenças que provocam distúrbios alimentares como ansiedade, depressão e transtornos de personalidade.
A família e o círculo íntimo também desempenham um papel fundamental na recuperação das pessoas com distúrbios alimentares, favorecendo a adesão ao tratamento e a mudança de padrões comportamentais relacionados ao transtorno.
A nutricionista Ellen Cocino defende que a relação do paciente com os alimentos está relacionada com a criação, especialmente para crianças e adolescentes. Além da autopercepção e problemas com a autoestima que, eventualmente, podem levar ao desenvolvimento de TAs.
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