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‘Rainha das bolinhas’ Yayoi Kusama morre aos 97 anos em Tóquio
Informação foi divulgada nesta quinta-feira pela sua empresa; causa da morte não foi relatada
Por Redação27 AGO. - 09H55
Entretenimento - ‘Rainha das bolinhas’ Yayoi Kusama morre aos 97 anos em Tóquio (Foto: Getty Images)Yayoi Kusama, uma das artistas japonesas mais influentes da modernidade, faleceu no dia 14 de agosto, aos 97 anos, em Tóquio. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (27) pela sua empresa. A causa da morte não foi relatada.
Conhecida como “rainha das bolinhas”, Kusama permaneceu ativa até os últimos momentos de vida. De acordo com o comunicado, “Continuou a pintar até seus últimos dias, nunca largando o pincel, e continuou a explorar o amor eterno e a alma imortal”.
Trajetória - Nascida em 22 de março de 1929, Yayoi Kusama construiu uma obra marcada por padrões de bolinhas, cores vibrantes e instalações imersivas. Sua imagem também se tornou mundialmente conhecida, devido às roupas coloridas e com estampas de bolinhas e sua clássica peruca vermelha brilhante.
Parte importante da sua produção artística teve origem nas alucinações que tinha desde a infância. A artista cresceu em uma família abastada de comerciantes e, em diversas ocasiões, relatou ter sofrido abusos físicos e psicológicos por parte de sua mãe.
Desde jovem, Kusama enfrentou o transtorno obsessivo-compulsivo e pensamentos suicidas. Essas experiências pessoais foram convertidas em uma extensa produção artística, passando por pintura, escultura, performance, literatura e poesia.
Yayoi Kusama tornou-se uma das principais representantes da vanguarda e uma figura importante do movimento psicodélico do século XX. A artista estudou Nihonga, estilo de pintura japonesa consolidado no fim do século XIX, na Escola Municipal de Artes e Ofícios de Kyoto.
No final da década de 1950, a artista mudou-se para os Estados Unidos em busca de maior liberdade para exercer sua arte e de espaço na cena de vanguarda. Em Nova York, passou a expor suas obras em espaços públicos, além de protestar contra a Guerra do Vietnã.
O ativismo contra conflitos armados teve origem, ainda, na sua adolescência. Quando Kusama tinha apenas 16 anos, os EUA lançaram bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, no fim da Segunda Guerra Mundial.
Retorno ao Japão - Durante sua passagem pelos Estados Unidos, ganhou projeção e influenciou artistas contemporâneos como Andy Warhol e Claes Oldenburg. Porém, em 1973 precisou retornar ao Japão devido ao agravamento de suas questões relacionadas à saúde mental. A partir de 1990, passou a viver voluntariamente em uma instituição psiquiátrica, sem abandonar a produção artística, continuando a desenvolver trabalhos em diferentes formatos e consolidando uma carreira reconhecida internacionalmente.
O comunicado de sua empresa afirma também que dará continuidade ao trabalho desenvolvido pela artista, continuando a “levar esperança e força para o futuro às pessoas de todo o mundo”. Ao longo da carreira, Kusama expôs em importantes museus ao redor do mundo e recebeu diversas honrarias, como a Ordem das Artes e Letras do Japão e a Ordem da Cultura do Japão.




